Sexta-feira

A menina do cajado

Ela vem com um cajado
Ela vem como quiser
Ela passa por meus passos
Ela é o homem e a mulher
Ela faz só do seu jeito
Do meu nem se eu mandar
Mas quando eu me deito
Não preciso nem falar
Ela vem com seu traçado
Com seu jeito de quem quer
Ela é mais que esse querer
Faz de mim o que quiser

Quinta-feira

Man.ta

Ver.bo sol.to
Eu pre.so
Refem da ideia
Eu sol.to
Pre.so no que quer acon.chegar
Acon.tece uma manta que me cobre
Sem cobrar
Manta de ou( t)ro

Quarta-feira

Olha aqui...

Mapeio meus atos
e meus pensamentos
Mesmo que insensatos
Não quero ter de parar
Ou guardar os desejos num retrato
Não posso mais achar que me perder
pode ser a melhor forma de te encontrar
Ou usar clichês de palavras sonoras
pra aliviar
Só quero
agora
poder ter o que sempre tive
E me calo
Não posso mais falar
Se me olhar
Saberei
Se me tocar
Saberá

Daquele jeito

Olha aqui
Não faz mais desse jeito
Aqui tem mais que ombro
Tem peito
Faz daquele jeito
Que me faz olhar pra dentro
Descobrir montanhas
Ilhas
Maremotos
Delicadeza
Não faz mais que respeito
Se eu te pego de jeito
No meu ego
Ta feito
Se eu te acho nesse mundo
O resto é defeito

Do lado de cá

Eu pergunto
D.eus responde(m)
Meus eus formam uma legião
Sentimentos conflitantes
Questionam
entre si
amam
entre si
odeiam
entre si
apaixonam
entre
sim
E por mim
se fazem reais
e concretizo aqui
o que sempre se dissipa
com a fumaça do meu cigarro

Deixo de ser EU

Duas letras
significando
A sonoridade singular
Duas vogais que se ampliam do lado de dentro da boca
Ensurdecedor como o silêncio de olhos quando desejam
Deixo de ser EU
Viro nós
Fitas em tons e texturas diversas
Curiosos laços
Fios explosivos
Elétricos
Desafinados
Cordas que marcam a pele do pensamento
E mãos que trabalham a imaginação
Para que não rompa
Ilhado na imensidão de relações indecifráveis
Deitado num enorme prato de macarrão
Entreolhares
sem mais eu
Me viro em nós

Quinta-feira

Medo é vontade

Relação
A alma que pede outra
Relar a ação
Superior à matéria
É re.ação
Corpos se encontrando...
Mas o que nos tira do chão é o olhar do outro
Saímos de nós
Quando AQUELES olhos nos invadem
Salta o que existe entre...
Vamos de encontro a perguntas sem respostas tão distantes e tão internas
Como saber da existência de mais mundos fora do nosso
mesmo sem nunca ter visto
Sem ter noção
Relar uma ação é olhar AQUELES olhos no fundo
Invadir
Ir além do nosso entendimento
Sentir aquele frio de quando somos vasculhados
e as questões mais íntimas se revelam
A vontade se confunde
Os olhos se molham
A garganta seca
E vem a realidade de viver
o eterno sonho
De sermos crianças grandes
Nesse parque de diversões
Onde o brinquedo que a gente mais procura
é aquele que a gente mais teme.
Escrever é como fazer esculturinhas
com miolo de pão no café da tarde na casa da vó
Nunca as pessoas entendem o que é
Mas sempre dão um nome ou significado que você jamais imaginaria
E o melhor é que alguém pode passar distraído
e COMER sua poesia de trigo
Cada letra pensada em sentido
é um pedacinho de vaidade que derrete da mente
As palavras comprimidas
são placebos sem bula
A gente toma pra burlar
Ou bola pra bundar

Fenô.menos

Nos ex-paSSos cobertos de água
Ou nas racha.duras do solo seco
O vento sopra para o lado do outono
Outro tom que faz do ver.ão um inferno
Da sutil nuvem es.cura de histórias
para as (in)costantes e (in)cansáveis gotas
de memórias f.rias
Como aquela gota de chocolate
que a gente joga na bola de sorvete
Bola de neve com gosto de fruta
E aquele gostoso chove não molha na cesta de gente

Pataquada

Bate
Racha
Crente
Taxa
Gente

Deite
Cante
Grite
Minta
Vence

Pinça
Poço
Pauta
Potro
Pente

Puxa
Pula
Pata
Pisa
Pense